Açores: Bloco faz aprovar proibição de glifosato em espaços públicos

13 de setembro 2020 - 14:01

Estima-se que 98% das Juntas de Freguesia açorianas usem glifosato, uma substância qualificada pela Organização Mundial de Saúde como um “carcinogénico provável para o ser humano”.

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Embalagens de Roundup, um popular herbicida, comercializado pela Monsanto.
Embalagens de Roundup, um popular herbicida, comercializado pela Monsanto. Fotografia de Mike Mozart/Flickr.

A partir de 2022 será proibido utilizar produtos com glifosato em espaços públicos nos Açores. A proposta foi uma iniciativa do Bloco de Esquerda Açores e tem por objetivo “proteger a saúde pública e o ambiente”. A medida entrará em vigor no início de 2021, e estabelece o prazo de um ano para as autarquias e os serviços da administração pública se adaptarem aos métodos alternativos de combate às ervas espontâneas.

Vai acabar, assim, a utilização de glifosato nas vias públicas, jardins e parques “em que o trabalhador que o aplica se encontra equipado e protegido, quando, simultaneamente, no mesmo local, os transeuntes - tantas vezes crianças - passam desprotegidos ignorando os riscos que correm”, referiu António Lima, citado pelo site do Bloco de Esquerda Açores.

Os efeitos da exposição ao glifosato continuam a ser estudados e embora não haja certezas absolutas sobre estes, a Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro (AIIC) da Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou - em março de 2015 - o glifosato como “carcinogénico provável para o ser humano”.

“Perante as suspeitas existentes quanto aos efeitos negativos do glifosato na saúde e no ambiente, manda o princípio da precaução que se optem por métodos alternativos mesmo que isso possa implicar temporariamente um aumento de custo”, disse o deputado António Lima.

Nos Açores, o glifosato ainda é amplamente utilizada no espaço público e, segundo o representante da ANAFRE ouvido em comissão no parlamento regional, é utilizado por 98% das juntas de freguesia açorianas.

As alternativas existem – como métodos mecânicos e térmicos –, são viáveis, e já estão a ser aplicadas por várias autarquias. Tratam-se de métodos mais seguros e amigos do ambiente para a remoção de ervas espontâneas nos espaços públicos que passarão a ser utilizados por todas as freguesias, autarquias e administração regional.

“Hoje, foi dado um passo importante para que nas ruas dos Açores, nas nossas praças, jardins, se deixe de usar o glifosato para controlo de ervas espontâneas”, assinalou António Lima.